07 agosto, 2015

Gráficos, infográficos e letramento científico


Falando de letramento científico, ontem tive a oportunidade de ver, na reunião itinerante do Conselho Nacional de Educação que aconteceu na cidade de Maceió, os resultados da pesquisa nacional realizada para conhecer o nível de letramento científico da população brasileira [ver a notícia aqui].

A pesquisa sobre o Letramento Científico (LC) foi feita pelo Instituto Abramundo, com a parceria da Ação Educativa e o Instituto Paulo Montenegro

São quatro os níveis de indicadores de Letramento Científico (ILC) que foram considerados nessa pesquisa:

Nível 1 - Letramento não-científico
[Os indivíduos] Não tem domínio das habilidades de reconhecimento e localização de informações técnicas e/ou científicas apresentadas em suportes textuais simples (gráficos e tabelas simples, textos narrativos curtos) envolvendo temáticas frequentemente presentes em situações cotidianas.

Nível 2- Letramento científico rudimentar
Revelam a capacidade de resolver problemas cotidianos que exigem o domínio de linguagem científica básica, por meio da interpretação e da comparação de informações apresentadas em diferentes suportes textuais (gráficos com maior número de variáveis, rótulos, textos jornalísticos, textos científicos, legislação) com diversas finalidades.

Nível 3 - Letramento científico básico
Apresentam a capacidade de elaborar propostas para resolver problemas em diferentes contextos (doméstico ou científico) a partir de evidências técnico e/ou científicas apresentadas em diferentes suportes textuais (infográficos, conjunto de tabelas e gráficos com maior número de variáveis, manuais, esquemas) com finalidades diversas. A construção de argumentos para justificar a proposta apresentada exige neste nível o estabelecimento de relações intertextuais e entre variáveis.

Nível 4 - Letramento científico proficiente
Avaliam e confrontam propostas e afirmações apresentadas em linguagem científica de maior complexidade, envolvendo diferentes contextos (cotidianos e científicos). Para justificar as decisões apresentadas, os indivíduos aportam informações extratextuais para formular argumentos capazes de confrontar posicionamentos diversos (científicos, tecnológicos, do senso comum, éticos) por meio de linguagem relacionada a uma visão científica de mundo. Dentre os temas propostos podemos citar: potência do chuveiro, temperatura global, biodiversidade, astronomia e genética.

[observação: a descrição destes quatro níveis a tomei da apresentação de ontem, porque gostei mais desta redação que a que está no relatório impresso. Ver nas referências os documentos  da Abramundo com a descrição dos indicadores originais].

Por que faço este comentário neste blog?

Porque como podemos ver acima, as habilidades para ler e interpretar gráficos e infográficos são muito importantes na compreensão leitora em geral. Isso pode ser apreciado com esta amostra de item correspondente com o nível 4 do ILC. 


Embora a prova do PISA seja feita com uma metodologia diferente que a pesquisa do ILC mencionada, podemos ver também o uso de gráficos ou infográficos neste exemplo liberado do PISA 2015 que, nesta ocasião, teve sua ênfase na avaliação de conhecimentos científicos dos alunos de 15 anos.

fonte: OECD (2015, p. 11).

O resultado da pesquisa nacional sobre LC da Abramundo mostrou que apenas 5% da população possui um nível proficiente e também que o ILC  aumenta com o nível escolar. 


Em resumo, como docentes não podemos desatender a leitura e compreensão de gráficos e infográficos e de temas científicos, assim como despertar a curiosidade e sede de aprendizagem de nossos alunos.

Para fechar este post, deixo uma sugestão de vídeo que foi apresentado ontem pelo professor Anderson Gomes, da UFPE, no evento mencionado.



Referências
ABRAMUNDO. ILC - Indicador de Letramento Científico. Sumário executivo de resultados, 2014. Instituto Abramundo/Ação educativa/Instituto Paulo Montenegro, 2014. http://www.institutoabramundo.org.br/wp-content/uploads/2014/11/ILC_Indice%20Letramento%20_Cientifico_FCC.pdf

ABRAMUNDO. Indicador de Letramento Científico. Relatório técnico da edição 2014. Instituto Abramundo/Ação educativa/ Instituto Paulo Montenegro, 2014.  
http://www.institutoabramundo.org.br/wp-content/uploads/2014/11/relatorio-final-ilc-jul2014-2.pdf 

GUIMARAES, Camila. Um país de analfabetos científicos. Època, 08-09-2014. http://epoca.globo.com/vida/noticia/2014/09/um-pais-de-banalfabetos-cientificosb.html

OECD. PISA 2015.  Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. Exemplos de Itens liberados de Ciências. Consórcio do PISA 2015. http://download.inep.gov.br/acoes_internacionais/pisa/itens/2015/itens_liberados_ciencias_pisa_2015.pdf

TOKARNIA,  Mariana. Maior parte dos brasileiros sabe pouco sobre ciências, diz pesquisa. Agência Brasil, 06-08-2015. 

Infográficos e PT

Adivinhem qual foi o recurso verbo-visual utilizado no programa partidário apresentado ontem na televisão pelo Partido dos Trabalhadores (PT) na hora de oferecer dados do governo.

Infográficos, é claro.

Veja o vídeo completo do programa aqui.

Talvez lhe interesse ver também Alguns infográficos do governo federal

05 agosto, 2015

Relato de experiência sobre construção de infográficos em espanhol pelo PIBID da UNISINOS

De acordo como o relato de experiência descrito por Foschiera, Souza, Oliveira e Andrade (2014) que foi realizado por bolsistas do PIBID da UNISINOS, os alunos de uma escola de Ensino Médio do sul do país, como parte de um projeto de letramento científico, reuniram  informações em língua espanhola que foram posteriormente transformadas em infográficos, respeitando as características do gênero e produzindo um novo conhecimento, segundo informam os autores do artigo, mas não proporcionavam outros detalhes da forma em que os infográficos foram preparados, apenas que foi no laboratório de informática da escola.

Escrevi um e-mail para a primeira autora, que é ao mesmo tempo, orientadora dos bolsistas que desenvolveram este trabalho e recebi a seguinte resposta dela, que transcrevo parcialmente aqui:


Le comento que una parte del grupo utilizó Piktochart, pero aquellos que no estaban tan familiarizados acabaron elaborando los infográficos en Power Point. La experiencia relatada en la revista fue realizada en una escuela de enseñanza media y queríamos que de alguna forma pudiésemos desarrollar la literacia digital a través de temas que despertasen la curiosidad de los alumnos.
Tuvimos otras experiencias. En otra escuela, fomentamos la producción de infográficos sobre los temas desarrollados por los alumnos en la clase de “Seminario Integrado”. Ellos profundizaban los asuntos (por ejemplo: embarazo en la adolescencia, drogas…) en esa clase y después, a partir de las informaciones colectadas, producían un infográfico para exposición.

En el curso de Letras también trabajé produciendo infográficos. Fue en una asignatura llamada "Noções Básicas de Linguística". En ella buscamos específicamente introducir a los alumnos a las teorias de Saussure, Chomsky, Labov, Austin y Grice. Al final del semestre, los alumnos tenían que elaborar infográficos haciendo una explicación de esas teorías para un público laico en el tema.  Los infográficos eran expuestos virtual y físicamente en la universidad. Para la elaboración, trabajamos en el laboratorio de informática utilizando además del Piktochart, también el Easel.ly
Como puede ver, me gusta mucho trabajar con infográficos. Pienso que es un género esencial en nuestros días.

Considero relevante estas experiências realizadas no ensino básico e superior e por isso as decidi comentar aqui. 

O trabalho citado foi acrescentado à lista que mantemos neste blog sobre infográficos na educação.

Referência
FOSCHIERA, Silvia Matturro; SOUZA, Diego Coelho de; OLIVEIRA, Tamires Iwanczuk de; ANDRADE, Fabrício Dias de. Projeto de ensino de língua espanhola: infográfico. Entrelinhas. Revista do curso de letras, v. 8, n. 2, 2014. http://revistas.unisinos.br/index.php/entrelinhas/article/view/8996

03 agosto, 2015

Exemplo de infográfico complementar


Este infográfico com alguns dados da pós-graduação brasileira pode ser considerado do tipo complementar, segundo a classificação de Teixeira (2007), pois acompanha uma matéria jornalistica, neste caso intitulada "O apagão das pesquisas científicas", que foi publicada recentemente na revista Istoé.

Teixeira (2007) analisou em profundidade os infográficos publicados durante dez anos em duas revistas brasileiras, e os dividiu em duas grandes categorias: enciclopédicos e  específicos. Os enciclopédicos são centrados em explicações de caráter mais universal como, por exemplo, detalhes do funcionamento do corpo humano; como se formam as nuvens; o que são bactérias, etc., enquanto que os infográficos específicos são mais singulares, sendo comuns, por exemplo, para explicar o que aconteceu em um acidente. Ambos os grupos estão divididos em independentes e complementares, em dependência de se aparecem acompanhando alguma matéria escrita ou não.

Vale dizer que Teixeira apresentou uma nova proposta de classificação com a inclusão da visualização de dados (RINALDI; TEIXEIRA, 2015), mas ainda é mantida a diferenciação entre complementar e independente segundo o tipo de relação com o texto jornalístico do infográfico ou da visualização de dados .

Em outros momentos veremos outras classificações de infográficos.

Referências
RINALDI, Mayara ; TEIXEIRA, Tattiana. Visualização da Informação e Jornalismo: proposta de conceitos e categorias. Revista Estudos de Jornalismo, n. 3, p. 106-121, fev. 2015. http://www.revistaej.sopcom.pt/ficheiros/20150209-revista_3.pdf

TEIXEIRA,  Tattiana. A presença da infografia no jornalismo brasileiro. Proposta de tipologia e classificação como gênero jornalístico a partir de um estudo de caso. Revista Fronteira. Estudos midiáticos, v. 9, n. 2, p. 111-120, 2007. http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/fronteiras/article/viewArticle/5749